Cidades
'Biu' faz 40 anos com status de cidade
Maior população urbana de Maceió, bairro do Benedito Bentes potencializou desenvolvimento, ‘vida própria’ e velhos problemas
Ele é carinhosamente chamado por boa parte de sua população de mais de 110 mil pessoas - segundo o último Censo do IBGE de 2022 - de “Biu” – embora também seja pejorativamente e (historicamente) chamado pela mesma alcunha por pessoas de bairros mais abastados, que sempre torceram o nariz por ter nascido na periferia da capital alagoana.
O bairro do Benedito Bentes completou esta semana 40 anos de existência e se tornou, ao longo desse tempo, uma cidade dentro de outra cidade, ganhando o status de “município”.
A história do bairro começou oficialmente em 27 de março de 1986. Localizado na parte alta de Maceió, o que hoje é um dos centros urbanos mais vibrantes de Alagoas nasceu de um projeto habitacional em uma área anteriormente ocupada por fazendas e sítios a partir da construção do Conjunto Residencial Benedito Bentes I, criado para atender à crescente demanda por moradias populares na capital. Para se ter ideia, ma época de sua fundação, a região era considerada extremamente distante do centro, o que rendeu ao bairro o apelido de “Infinito Bentes” ou “fim de mundo”.
Não à toa, a partir dos anos 1990, por causa de sua alta densidade demográfica, alguns, vereadores de Maceió quiseram transformar o atual complexo habitacional com seus mais de 20 conjuntos agregados em município. Atualmente, por causa da grande população, o “Biu” é chamado de “Complexo habitacional”.
QUEM FOI
BENEDITO BENTES
O nome do bairro é uma homenagem ao amazonense Benedito Geraldo do Vale Bentes (1918–1986), uma figura importante no desenvolvimento do estado nos anos 1960. Foi presidente da Federação do Comércio, do Sesc e do Senac em Alagoas e diretor da antiga Companhia de Eletricidade de Alagoas (Ceal) e apontado como responsável por levar energia elétrica para todos os municípios do Estado.
O conjunto habitacional que homenageia Benedito Bentes foi construído em 1986, quando o governador de Alagoas era Divaldo Suruagy e o prefeito era Djalma Falcão.
COMPLEXO
HABITACIONAL
Com o passar das décadas, o Benedito Bentes deixou de ser apenas um conjunto habitacional para se tornar um bairro gigantesco, subdividido em dezenas de conjuntos menores, como o Selma Bandeira, Carminha, Moacir Andrade, Frei Damião, João Sampaio II, Parque dos Caetés, entre muitos outros.
O resultado disso é que sua população é o bairro mais populoso de Maceió, com 110.746 moradores, segundo o último Censo realizado em 2022.
Atualmente, o bairro possui um comércio autossuficiente, com grandes redes de supermercados, agências bancárias, fábricas, escolas e unidades de saúde, funcionando quase como uma “cidade dentro da cidade”.
PIONEIRA
Antiga moradora, Núbia atesta:
“Tinha nada, era só cana!”
Uma das primeiras pessoas a morar no Benedito Bentes foi Núbia Ferreira Alves, 61 anos, que relata à Tribuna como era o lugar quando chegou há 40 anos: “Eu morava no bairro do Farol, me mudei para o Benedito Bentes, mas ia para o Jacintinho para a casa da minha mãe esperar o dia de ganhar neném, porque aqui era tudo muito difícil ou para pegar táxi ou ônibus. Era tudo muito difícil, principalmente transporte”, conta Núbia.
“Era só cana, de um lado e de outro”, completa a moradora, que chegou no “Biu” um ano depois de casar. “A gente tinha que ir para a pista pegar ônibus no começo”, lembra.

“AGORA TEM
TUDO AQUI NO BIU”
Núbia conta que além do transporte, era difícil encontrar até mercadinhos. “Só existia aqui a Padaria do Cícero, no começo do conjunto. Para a gente fazer feira de fruta, tudo a gente tinha que descer, ir para o Jacintinho fazer compras”, diz.
Mas depois com o tempo, Núbia diz que o Benedito Bentes adquiriu quase tudo. “Não saio quase daqui para nada. Tem shopping, tem cinema, tem tudo. Acho que só precisa melhorar o transporte público e ter um hospital geral”, acrescenta.
Com quatro filhos criados, a moradora diz ter orgulho de tê-los educado no bairro. “Todos nasceram aqui, estudaram aqui e daqui fizeram faculdade, foram para a vida. Tá tudo criado e hoje cada um tá em seu lugar, graça a Deus!”, revela, ao dizer que o filho mais velho vai completar 41 anos de idade.
“Tenho um neto, por exemplo, que vive mais aqui em casa de que com os pais, ou seja, também está sendo criado aqui comigo”.
Núbia diz à Tribuna que quando foram entregues, as casas tinham três especificações: tipo A, tipo B e a tipo C.
“Minha casa como a da grande maioria do conjunto foram praticamente todas reformadas. Dificilmente se encontra uma casa original por aqui”, diz.
GIGANTE
“Prefeito” do bairro afasta
tese de se criar novo município
Um dos sinais claros de que o Benedito Bentes funciona com status de município é sua Prefeitura Comunitária, que, ao longo de seus 40 anos, tem se constituído como ponte obrigatória para os “prefeitos comunitários” que querem alçar voos mais altos na política. Um dos últimos nomes de “ex-prefeitos comunitários” que se notabilizaram no bairro e na capital alagoana foi Silvano Barbosa, ex-vereador por Maceió e assassinado aos 45 anos, morto dentro do apartamento em que morava, no bairro, em 2018.
Fora isso, o bairro elegeu nas últimas eleições para vereador Siderlane Mendonça, Allan Pierre e Brivaldo Marques, esse último também ex-prefeito comunitário.
Hoje quem ocupa a cadeira de prefeito comunitário é Claudivan Souto, 45 anos, e tem a seu lado a vice-prefeita Araly Maia.
Ao fazer um balanço dos 40 anos, Souto avalia que o Benedito Bentes melhorou em áreas como educação, lazer e na economia, ao afirmar que em breve vai ser inaugurado um “Gigantinhos”, obra da Prefeitura de Maceió que vem dando suporte nessas áreas. “Com relação à saúde, acho que ainda tem que melhorar bastante. Temos um mini pronto-socorro, o Denilma Bulhões, dentro do conjunto que está fechado e só a UPA vem dando suporte à população do Benedito Bentes”, reclama.

“Pela quantidade de moradores aqui do Benedito Bentes, uma UPA não dá conta”, completa Souto.
“O Benedito evoluiu bastante, mas precisa de mais investimento no transporte público, que é a maior reclamação”, completa Araly.
Do ponto de vista econômico, os dois gestores da Prefeitura Comunitária apontam o sucesso do empreendedorismo da população do “Biu”. “Hoje têm três ruas aqui no Benedito Bentes 1 — a Norma Pimentel, a Garça Torta e a Pratagy — que é tudo comércio, não existe mais residência fixa. O Benedito Bentes cresce a cada ano que passa”, avalia. Ao comentar o assunto que vez por outra volta à baila sobre a possiblidade de virar um município, como era o desejo de alguns vereadores da Câmara de Maceió, o prefeito crava: “Esse assunto não vinga mais. Já está dentro de Maceió, a Prefeitura de Maceió não vai perder uma população dessa, além de a própria comunidade aqui do Benedito rejeitar esse assunto”, finaliza Souto.

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